Viva a Música Clássica

Hoje é o dia nacional da música clássica! Dia 05 de março! Estipulada desde 2009 na data de nascimento de ninguém menos que Heitor Villa-Lobos, prestando assim uma grande homenagem ao nosso conterrâneo maestro e compositor.

Mas, não vamos falar da história desse dia e sim comemorá-lo pois cada vez mais se vê apreciadores da música clássica sem nenhum tipo de estereótipo sobre suas classes sociais nem mesmo sobre a tal “exclusividade” sobre o gosto de quem aprecia tal estilo. Muitas pessoas apreciam uma boa peça de Mozart, por exemplo, e logo em seguida ouvem um Motorhead, ou então um U2, ou mesmo um Cartola….. Bom, acho que deu pra entender, né? ;)

O que eu gosto de fazer e o que vou tentar mostrar pra vocês aqui é ressaltar as possíveis comparações e adaptações que esse universo da música clássica nos permite fazer. Quem nunca pensou em comparar as delicadas e trabalhadas escalas de Paganini no violino, por exemplo, com os arpejos infernais de Malmsteen? Ou então uma peça do Vivaldi com um LP do Frank Zappa ou do David Bowie? Ambos seguindo uma cronologia e mostrando uma evolução ao longo de suas obras para finalmente encerrarem com um “crescendo”, um avanço na percussão e um bom “coda”….

Bom, aqui vamos mostrar muitos bons trabalhos que a música clássica nos fornece:

Começaremos com essa comparação simples entre “O Demônio Violinista”, Paganini na sua composição mais famosa (Caprice n° 24) e o excelentíssimo guitarrista Yngwie Malmsteen e seus “Arpeggios from Hell”:

 

Em seguida mostramos que, quando muitos acham que a música clássica é muito lenta, muito calma e da sono, bem, basta apenas tocá-la em outra velocidade. Aqui podemos comparar essas versões de “Moonlight Sonata” de Beethoven (apenas o 3° movimento da obra), lembrando que a versão tocada rápida é a velocidade ORIGINAL para a qual a música foi composta:

(Versão lenta)

(Reparem na velocidade dos dedos dessa mulher!!! Essa com certeza toca uma boa si….. sinfonia! =P )

(E essa é pra quem sentiu falta de uma guitarra! ;) )

 

A última comparação é dedicada aos mais aficionados e detalhistas. Deixo aqui uma comparação mais “suave” entre o álbum do camaleão do Rock, David Bowie, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars com uma das obras mais conhecidas de Vivaldi, As Quatro Estações. Podemos ver que enquanto o LP é divido em 2 lados, Vivaldi dividiu sua obra nas 4 estações, tendo cada parte, de ambos os artistas, um começo, desenvolvimento, “desfecho” e fim. E obviamente, o final de ambas as obras é uma conclusão geral de seu trabalho. Na verdade deixo essa parte para os apreciadores mesmo. Degustem e comparem o que puderem! ;)

 

Pra finalizar, deixo alguns exemplos entre os muitos que existem da chamada (por quem vos fala) “troca de instrumentos”. No caso seriam os músicos ou bandas que usam seus instrumentos de músicas clássicas para tocar rock e vice versa.

Primeiro vamos ver as músicas clássicas tocadas por músicos que normalmente nos fornecem o bom e velho rock:

Aqui temos o Beethoven sendo recussitado com o dedilhado incrível de ninguém menos que Steve Vai:

Aqui o brasileiro Marcos de Ros interpretando uma obra de Johann Sebastian Bach:

Também podemos ver o primeiro exemplo desse post concretizado com Malmsteen interpretando o quarto concerto para violinos de Paganini:

Lembrando que existem muitas outras interpretações como essas e que isso aqui foi apenas um exemplo. Quer ver mais, é só caçar no Youtube que tem aos montes. Agora vamos inverter os papeis e ver como ficam as músicas do rock tocadas por instrumentos “clássicos”:

Começando com a banda 2Cellos tocando Thunderstruck – AC/DC. Clipe muito criativo também:

Aqui outra banda bem conhecida Apocalyptica com seus 4 violoncelos tocando The Unforgiven – Metallica:

Nesse vídeo, com o áudio não tão bom assim, vemos o grupo Break of Reality tocando B.Y.O.B. – System of a Down:

Como eu disse antes, existe muito mais de onde esses vieram. ;)

Pra finalizar, para quem gosta de música erudita/clássica, deixo aqui um vídeo de uma composição de Heitor Villa-Lobos que não poderia faltar nessa lista. Interpretado por Turíbio Santos, apenas um dos maiores violonistas brasileiros:

Criatividade faz diferença

A banda americana “OK Go” não é nenhuma banda extremamente famosa e conhecida, apesar de já ter sido bem divulgada internacionalmente. No Brasil, tiveram o seu clipe “Here it goes again” bem difundido pela mídia local devido à ludicidade e inovação do videoclipe.

Com um estilo “pop indie rock alternativo” (palavras de quem vos escreve), a banda consegue atrair a atenção do público não só com o ritmo da música, mas com a criatividade na hora de montar seus clipes que prendem e atraem o público. O que muitas vezes pode ser o que os fazem se diferenciar um pouco em meio a tantos grupos que se incluem nesse estilo como Weezer, The Cars, Keane e por aí vai….

Abaixo seguem alguns clipes criativos da banda! Recomendo que procurem outros no youtube caso tenham gostado.

I Won’t Let You Down – OK Go

The Writing’s On The Wall – OK Go

Skycrapers – OK Go

Needing/Getting – OK Go

All Is Not Lost – OK Go (Com participação da companhia de dança Pilobolus)

White Knuckles

This Too Shall Pass – OK Go (Versão “Máquina de Rube Goldberg”! Esse não é o clipe oficial, mas como bom fã de máquinas de Rube Goldberg, prefiro este aqui.)

WTF? – OK Go

Here It Goes Again – OK Go

Deus Salve a Rainha

Há duas semanas a banda Queen se apresentou num show em Paris, com participação de Adam Lambert nos vocais. O Mundo Caindo enviou um dos nossos repórteres até lá pra conferir e nos contar mais sobre o evento.

O show foi realizado no Zenith um espaço pra espetáculos da cidade, bem conhecido. Apesar de o espaço não ser muito grande, o show estava lotado, o que era de se esperar. A abertura foi digna da realeza começando com One Vision e o belíssimo riff do Brian na entrada como podem ver no vídeo abaixo. A partir daí foram quase 3 horas de muita emoção e rock’n'roll!

O desempenho do Adam Lambert foi muito bom. O rapaz que se destacou no programa American Idol em 2009, onde conheceu os próprios Brian May e Roger Taylor. A partir daí a ideia de montar o projeto “Queen + Adam Lambert” foi levada adiante sem o baixista original John Deacon que se recusou a integrar o grupo. Analisando a perfomance, presença de palco, voz e gestos, o jovem cantor realmente fez o papel que deveria. O Adam tem muita pose, se esforçou muito e representou muito bem o que o nosso amado Freddy sempre mostrou no palco. A maior diferença é a que o Freddy sempre foi a “Rainha” em pessoa. Enquanto o Adam estava apenas representando o papel de um dos seus ídolos. Adam fez poses e gestos, já o Freddy era a pose e o gesto.

Destaques para momentos únicos do show como:

- Uma versão bem limpa de “Love of my life” tocada e cantada apenas com um violão pelo Brian May para o Freddy Mercury;
- Um duelo de baterias entre o Roger Taylor e seu filho que também é baterista do grupo em turnê;
- Um solo de guitarra do Brian de uns bons 15 minutos para que os músicos se trocassem e coisas assim;
- A Kind of Magic cantada pelo próprio Roger Taylor;
- O mix entre a banda tocando, o clip com o próprio Freddy e o Adam cantando ou solos do Brian tudo isso na música Bohemian Rapsody que encerrou o show;
- Um retorno do grupo pra finalmente acabar o show com We Will Rock You e We Are The Champions. Clássico.

Antes que venham com comentários como “Nhaaaa, o Queen sem o Freddy Mercury não é o Queen” ou “Ninguém vai substituir o Freddy Mercury!” já aviso: Concordo que ninguém vai substituir o Freddy Mercury, mas as músicas do Queen tocadas por integrantes do Queen fazem a Rainha permanecer viva! Mesmo que saibamos que, como num jogo de xadrez quando perdemos a Rainha (Freddy Mercury), o jogo fica praticamente perdido, o Brian e o Roger criaram um ótimo projeto que encaixou muito bem com o Adam. Logo, a Rainha ainda está viva!

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Esperando Robin terminar faculdade

Se eu fosse fazer uma lista de dez melhores discos dos ultimos dez anos com certeza incluiria os dois discos do Fleet Foxes. Não consigo achar nenhuma banda mais legal nos ultimos tempos e os discos deles me dão vontade de parar tudo que estou fazendo.

O problema é que desde o ultimo album Helplessness Blues em 2011 não temos mais notícias de um próximo trabalho. Rolou uma turnê por lá, porém, também nenhuma sinalização de algum show por nossas terras. A ultima notícia que eu tinha era do baterista se demitindo da banda. Esse inclusive fez grande sucesso na sua carreira solo sob a alcunha de Father John Misty. Aparentemente goza até de uma popularidade maior que os Fleet Foxes por aqui.

O fato é que, no final de abril, o vocalista Robin Pecknold deu notícias pelo Facebook sobre como andam as coisas : Continue reading

Aguaturbia

A internet pode ser uma ferramenta poderosa em facilitar a busca por bandas esquecidas ou perdidas no tempo, seja baixando arquivos ou obtendo através de serviços de streaming. É um pecado que isso seja tão mal aproveitado as vezes com a maioria das pessoas buscando músicas já consagradas e constantemente repetidas em qualquer rádio, TV ou canal mais popular.

Lembro de uma situação comum nos anos 90 – em uma era pré-Napster – quando existia o Teleguiado, um programa na falecida MTV em que o apresentador ligava pra casa das pessoas dando a oportunidade de escolher um clipe para passar ali na hora (pensa em como isso tudo é ultrapassado hoje), dava um ódio incrível quando o sortudo pedia um clipe que já estava estourando de passar durante todo o dia, as vezes pediam o clipe que já era líder no Top MTV. Era revoltante! Como alguem podia ser tão idiota ? Por que não pedia um clipe mais antigo, um daqueles que nunca passaria na programação normal ? Mesmo que fosse da mesma banda, mas pedisse uma daquelas musicas do início da carreira, qualquer coisa …

Hoje essa formula está totalmente ultrapassada. Escolhemos a musica ou clipe que quisermos a qualquer hora que quisermos. O desafio é conseguir filtrar alguma qualidade nesse oceano de porcarias e mesmices. Mas com certeza é um desafio muito menos custoso do que nos anos 90. Tão menos custoso que a experiência perde bastante o valor. Difícil alguem ter a consciencia de dar uma segunda chance a uma musica que não gostou de primeira vez. As vezes nem é dada a chance de terminar a música.

Divaguei nesse texto enquanto escuto no repeat uma banda chilena, que conheci aleatóriamente pelo YouTube, do início dos anos 70 e acho pertinente que todos conheçam. Não sei em que outro momento ou oportunidade eu conheceria essa banda. Nunca tocaria na 89FM, não teria um clipe pra passar na MTV, muito provavelmente você não encontraria nada se saísse perguntando nas lojas da galeria do rock ( e, se achasse, podia deixar um rim lá ).

Mas vamos lá :
Aguaturbia foi formada em 1968 e gravou seu primeiro album em 1970. Oferece um blues psicodélico com um lindo vocal feminino de Denise, seu marido e líder da banda Carlos Corales na guitarra, Ricardo Briones no baixo e Willy Cavada na bateria.
Destaque para a magnética “I Wonder Who” e a versão mais viajada que eu já ouvi de “Crimson & Cover”.

Aguaturbia :

1. Baby
2. Erótica
3. Alguien para amar
4. Ah ah ah ay
5. Rollin’ and tumblin’
6. Uno de estos días
7. Carmesí y trébol
8. Eres tú

Psychedelic Drugstore :

1.- Somebody to love (0:00)
2.- Erotica (3:04)
3.- Rollin’n’ tumblin’ (6:54)
4.- Ah ah ah ay (10:01)
5.- Crimson & Clover (12:50)
6.- Heartbreaker (23:25)
7.- Blues of the Westside (29:07)
8.- Waterfall (35:24)
9.- Evol (39:10)
10.- I wonder who (47:55)
11.- Aguaturbia (50:51)

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The Oh Sees de novo

O disco que mais gostei de ouvir em 2013 foi o Floating Coffin do The Oh Sees. 

Sem muito alarde. Parece que ninguem falou muito desses caras. Eu mesmo já tinha ouvido falar deles em outras ocasiões mas confesso que o nome da banda me espantou. “Oh Sees” é uma bosta de nome pra uma banda. Mas ouvindo esse disco fiquei viciado.

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